Lídia Jorge

 

 

Nascida nem 18 de junho de 1946 no Algarve, licenciou-se em Filologia Românica pela Universidade de Lisboa, tendo sido professora do Ensino Secundário. Os romances da autora são de variadas temáticas, entre eles são abordados com frequência os problemas sociais do povo português,  circunstâncias históricas de Portugal pós 25 de abril e questões problemática da sociedade feminina.

Em 1970, Lídia Jorge parte para África, onde dá aulas em Angola e Moçambique, em plena época da Guerra Colonial, que será descrito mais tarde no romance A Costa dos Murmúrios.

 
OBRAS

Romances

O Dia dos Prodígios (1980)
O Cais das Merendas (1982)
Notícia da Cidade Silvestre (1984)
A Costa dos Murmúrios (1988)
A Última Dona (1992)
O Jardim sem Limites (1995)
O Vale da Paixão (1998)

Contos

Marido e Outros Contos (1997)
O Belo Adormecido (2003)
A Instrumentalina (1992)
O Conto do Nadador (1992).

PRÊMIOS

Prêmio Dom Dinis da Fundação da Casa de Mateus (1998)
Prêmio Bordallo de Literatura da Casa da Imprensa (1998)
Prêmio Máxima de Literatura
Prêmio de Ficção do P.E.N.
Prémio Jean Monet de Literatura Européia (2000)
Grande Prémio da Associação Portuguesa de Escritores (2002)
Prêmio Correntes d’Escritas (2002)
Prêmio Internacional de Literatura da Fundação Günter Grass (2006)

A COSTA DOS MURMÚRIOS

O romance se apresenta pelo olhar feminino da guerra colonial, um testemunho diante do poder do Estado e da tragédia que se sucedeu em África. Essa narrativa é consolidada por duas personagens principais: Evita e Helena. A primeira casa-se com Alex, um estudante de matemática, que logo se transforma em um homem profundamente perturbado, devido aos serviços militares que deveria cumprir na África, mais especificamente em Moçambique. Analisemos o excerto que poderá ilustrar o que foi dito: “[…] o meu problema é que em tempos me apaixonei por um rapaz inquieto à procura duma harmonia matemática, e hoje estou esperando por um homem que degola gente e a espeta num pau […]”(p. 182 ). A segunda, mulher submissa e humilhada, vai à África acompanhando o marido, o capitão Forza Leal, vive enclausurada alegando fidelidade ao marido e ocupa-se somente de especulações sobre a guerra. Essas duas mulheres tornam-se íntimas, o que é justificado pelo afastamento dos maridos. O convívio de Evita com as outras mulheres a leva a perceber uma outra face da guerra, que a maioria das mulheres, ainda que ligadas diretamente com o conflito, desconhece.

 É principalmente na visão dessas duas mulheres, que vai traçando-se o ambiente da guerra podendo estabelecer como ponto de referencia o Hotel Stella Maris,  local onde as mulheres dos oficiais permanecem quando os maridos partem para missões no mato, e onde os destinos são traçados, não só daqueles que se encontravam no Hotel, como também dos países envolvidos no massacre. Em trechos como “Os blacks! Vê-se mesmo que são ideias de Blacks!” (p.22) e

“[…] ainda era muito cedo para se falar em guerra, que aliás não era uma guerra, mas apenas uma rebelião de selvagens. Ainda era muito cedo para se falar em selvagens – eles não tinham inventado a roda, nem a escrita, nem o cálculo, nem a narrativa histórica, e agora tinham-lhes dado umas armas para fazerem uma rebelião[…] (p. 12 ),

ilustram concepções que são discutidas durante a narrativa, definindo ambientes hostis e irônicos em que se desenvolve a narrativa.

REFERÊNCIAS:

http://www.lidiajorge.com/autor
www.wikipedia.org
JORGE, Lidia. A Costa dos Murmúrios. Rio de Janeiro: Record, 2004.